Lição de ano velho

À escrivaninha. 31º C lá fora. Céu limpo, com um azul clarinho e nuvens, muitas nuvens. E um calor escaldante, com sensação térmica de 34°C, característico desta cidade.

Primeira semana de janeiro, e não tenho planos ou metas definidas para o ano novo, diante da incerteza de uma vacina para a epidemia. Há, apenas, uma expectativa, a curto prazo, para o que desejo ser e realizar, nos próximos meses. Alguns de meus desejos já estão em curso. Outros, provavelmente não se realizarão tão cedo, mas, definitivamente, mantenho viva a esperança!

Pretendo continuar mantendo o distanciamento social até poder tomar a doses da vacina contra a COVID-19. Não estou animada para encontros, aulas e passeios presenciais, enquanto houver risco de contaminação, já que parte da população não obedece as regras de proteção e muitos não pretendem tomar a vacina.

Eu gostaria de abraçar meu pai, meus sobrinhos, meus irmãos e irmãs, a quem vejo apenas nas vídeochamadas, desde o início da pandemia. Gostaria de encontrar minhas “amigas para sempre” para um café com conversa, como fazíamos habitualmente. E de participar do primeiro encontro presencial de nosso Clube do Livro virtual, nascido em meio ao distanciamento social.

Eu amo estar em casa, mesmo agora, obrigatoriamente. Aprendi a gostar disso ainda mais, porque o distanciamento proporcionou ótimas experiências virtuais sozinha e em grupo. Acima de tudo, tive, e ainda tenho, a companhia diária das minhas meninas lindas e críticas, que me estimulam a aprimorar minha meta eterna de apreciar o silêncio e de ser uma velhinha agradável.


A lição que 2020 nos impôs é jamais esquecermos de qual frágil e breve a vida é. E que tudo pode mudar a qualquer momento. Foi um ano desafiador para todo o Planeta e devastador para tantas pessoas. Não há político, cientista, ou indivíduo que tenha uma resposta para conter a brevidade da vida e nos preparar para ela.

Que 2021 nos traga esperança, fé e determinação de fazer de cada dia, uma oportunidade de sermos mais humanos e solidários. Viver é um ato coletivo e nossas ações e decisões têm um impacto enorme sobre as outras pessoas. Não temos controle sobre quase nada nesta vida. Só de nos responsabilizar por nossos atos. Pensemos nisto.

Então, o que o ano velho me ensinou definitivamente? Não traçar desejos e metas e ter expectativas para o novo ano, apenas. Ensinou-me a trabalhar, cada momento para realizá-los. Sim, porque, por mais breve que seja a vida, ela vale a pena ser vivida.

Imagem:  Bich Tran no Pexels