De chuva, de alegria e de saudades…

À escrivaninha. 27°C lá fora. Céu azulíssimo, maravilhindo, deslumbrante. O sol empurrou a chuva de ontem para longe. Gosto de chuva. Na medida, sem excessos. Principalmente como os que acontecem agora no sul do país.

Voltando no tempo, chovia lá fora. Justamente na hora de sair para levar a Princesinha à escola. Uma chuvinha insistente. Não fazia frio. Aliás, já não sentia mais frio. Um calor eterno e sexagenário. Nunca mais usei sapato fechado, roupa de mangas compridas e casaco depois dos sessenta. Salvo em um ambiente com ar condicionado. Aí, colocava casaquinho de algodão, porque odiava – ainda odeio – sentir frio.

Lá ia eu. Short Jeans, blusa sem mangas, sem casaco e de chinelos (carioca anda assim na rua). Meu jeito de encarar a chuva. Casaco, pra quê? “Carioca confunde chuva com frio”, dizia minha professora de Geografia. É verdade. Mas, eu gostava – ainda gosto – de me molhar na chuva.

Sem guarda-chuva, metíamos a cara e caminhávamos devagar até o carro. Os pingos no rosto. A sensação era maravilhosa. Quando deixava a Princesinha na porta do colégio, dizia-lhe para colocar o capuz do casaco. Ela dava de ombros e corria na chuva até o portão da escola. Eu sorria. Quem não curte uma chuvinha fina no rosto, pensava.

Ainda sinto saudades da infância, quando eu e meus irmãos e irmãs corríamos para a chuva e dançávamos felizes, encharcados até a alma. Hoje, já não sentimos mais o delicioso cheirinho de terra molhada. Selva de Pedra.

Em dias assim, sinto saudades de meu anjo deslizando de bunda na poça de água, na quadra do condomínio, sempre que chovia. Saudades. Porque esta cena nunca mais vai voltar.

Voltando no tempo, à porta da escola. Observando a Princesinha com o rosto na chuva, a alegria renasce. Uma troca justa. Um anjo por uma Princesa…

Ao retornar a casa, à escrivaninha. ouço passarinhos cantando lá fora. Uma algazarra na chuva. O barulho da chuva no vidro da janela, o canto dos passarinhos, a saudade do filho no céu e a alegria da neta na chuva fazem-me concentrar na magnitude e na simplicidade da natureza.

Então percebo que estou inundada de felicidade. E de gratidão.

Foto de Gabi Repaska na Unsplash


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