Uma velha rabugenta

À escrivaninha. 19°C lá fora. Por que sinto tanto frio?

Não quero me tornar a velha rabugenta, evitada por todos, por sempre estar reclamando de algo. A cada manhã, decido ser positiva e silenciosa e não me envolver com coisas alheias, que não me dizem respeito ou não precisam de minha intervenção. E falho miseravelmente.

É muito melhor para todos, se a pessoa idosa agir amigavelmente. Talvez não consiga tudo do seu jeito, mas evita o estresse de uma batalha diária. Compreendo que ser mal-humorada, negativa, julgadora, crítica, rígida e reclamar de tudo não é muito bom. Também não faz as pessoas ao meu redor se sentirem bem.

A maneira de evitar isso é, conscientemente, reagir de forma positiva em minhas atitudes. Percebo que fico mais relaxada, à medida que desisto de pequenas coisas. Ainda ouço alguns: “reclama de tudo! Se mete em tudo!“. São alertas para eu relaxar e “deixar ir”.

Posso mudar minha atitude. Não posso mudar a dos outros. É importante lembrar que somos humanos e cometemos erros. Uma decisão possivelmente errada não significa o fim do mundo, e eu não preciso de ser perfeita.

Uma das maneiras mais simples de lidar com a tendência à rabugice é seguir meu coração. Basta escolher o que eu considero ser o certo para minha sanidade mental. Manter-me ocupada com o que gosto de fazer, transfere minha atenção para longe das situações que me incomodam. Não vejo, não sinto, não reclamo. Simples assim.

Fazer ginástica e alongamento, ao levantar, consome uma hora de minha manhã. Passo um bom tempo preparando receitas saudáveis que aprendo nos vídeos da Rita Lobo, da Paola Caroselha e do Claude Troisgros. Estou cozinhando melhor e gostando disso.

Já aceitei que as meninas nem sempre curtem meus pratos, mas, elas sabem cozinhar o que querem comer. Parar de reclamar que não comeram o que cozinhei é um de meus objetivos contra a rabugice. Quando estou inspirada, ainda limpo a cozinha e o banheiro e lavo roupa na máquina. E deixo a pia sempre limpa e vazia. Aliás, este é um tremendo gatilho para reclamação: casa bagunçada e louça na pia.

Gasto algumas horas com leitura no Kindle e escrevo anotações para o Clube do livro virtual. Leio feeds de blogs e textos de sites interessantes na rede.Tenho momentos de prazer, quando escrevo rascunhos de posts e publico-os no blog, regado a café e música no Spotify, com fones de ouvido.

E ainda há os jogos viciantes no celular, as conversas amigas pelos aplicativos. As lives no Instagram e no Youtube, e os cursos online no Coursera. Acrescento a meu dia, horas maravilhosas assistindo a minhas séries favoritas.

A felicidade é uma escolha e realmente importa. Escolhi cuidar de minha mente, focar no que me faz feliz e parar de reclamar. Este é, certamente, um trabalho em andamento para mim, mas estou determinada a melhorar, com o tempo.

Imagem:  Maria Sanchez no Pexels