Isolada, mas feliz

À escrivaninha. 21ºC lá fora, com sensação de 20ºC. Inverno despedindo-se.

Minha amiga Tetê me disse, ontem, durante nossa conversa em vídeo, que eu preciso sair de casa para tomar sol, ou terei problemas.

Quando a ouvi dizer esta última palavra, pensei que se referia ao fato de eu me isolar do convívio social. Imaginei, com meus botões: “estou ficando com medo de sair de casa? Estou com “problemas”?

É claro que minha amiga estava se referindo à deficiência de vitamina D, mas essa ideia de evitar sair de casa ficou martelando-me a cabeça.

Desde o início da quarentena, só saí duas vezes, por um período bem breve e sem contato direto com as pessoas. Não preciso correr para o supermercado porque a filha se encarrega dessas tarefas externas. Querer permanecer em casa é um problema com que deva me preocupar?

Entendo que há uma pandemia, e, com a prática de boas diretrizes de saúde, é possível estar fora de casa e seguro. Entretanto, considero desnecessário encontrar pessoas. Principalmente porque muitas delas sequer usam uma máscara de proteção contra o vírus.

Estou ciente de que o isolamento não é saudável. Somos seres sociais. Contudo, considero uma temeridade, em meu modo de compreender, socializar, em tais circunstâncias.

Eu ainda não estou disposta a enfrentar um vírus, em meio à pandemia. Quero evitar as consequências desta doença a longo prazo, se for contaminada antes da vacina ou de um remédio eficaz.

Não me sinto isolada, devido à falta de contato com gente, em encontros sociais. Tenho me relacionado virtualmente com pessoas amigas e familiares, pelo Skype e pelo WhatsApp, em chamadas de vídeo, diariamente. Essas conversas costumam durar bastante tempo. Estou em casa, e, enquanto escrevo isto, recebi uma chamada de vídeo de uma amiga.

Preciso de muito pouco para estar bem. Decidi esperar o momento certo de abraçar a quem amo, sem risco. Sou grata pelo meu tempo, dentro do apartamento, e invento minhas próprias “terapias” que podem me beneficiar agora. Logo, as coisas melhora,. Tenho fé.

Aprendi a encontrar pequenos prazeres e alegria nas coisas simples. Mantenho o foco em coisas positivas e divertidas. Prossigo isolada fisicamente, mas conectada emocionalmente a quem amo. Isto, por ora, é o meu projeto de felicidade. Isolada, sim, mas feliz.

Imagem: Andrea Piacquadio no Pexels