O que estamos fazendo de nossa vida

À escrivaninha. 28°C lá fora. Manhã abafada, com céu nublado e um mormaço estranho. Verão no Rio caminhando para o fim.

O distanciamento social, nesta pandemia de Covid-19, não me livrou de sintomas – leves, sim, mas persistentes, Sinto-me grata e aliviada, por estar em casa, sem febre e sem complicações. Viva o SUS e viva a vacina!

O isolamento, em casa, é aliviado pela existência de blogs. Após café e exercícios de alongamento, confiro postagens em meu leitor de feed. Passo tanto tempo lendo os blogs de outras pessoas quanto escrevendo meus posts. É muito mais interessante que assistir às notícias. E muito mais positivo.

O Café à escrivaninha, acabou de completar o segundo ano e ainda sinto que tenho algo a dizer. O motivo de continuar aqui se deve ao fato de eu tratar o blog como um hobby. Sentimentos e impressões da vida após os sessenta e o cotidiano satisfatório na aposentadoria. Sem me levar muito a sério. Apenas pela satisfação de escrever posts e de vê-los publicados.

Não tenho expectativas irreais para os próximos anos. Há muita sabedoria em aprender a apreciar o que temos. Meu foco está no presente e aqui está o contentamento.

Percebo como é comum pessoas seguirem outra carreira, diferente do que desejara. No início da adolescência, eu criava histórias, em todas as oportunidades que tinha. Atrevo-me a dizer que queria ser escritora. Também considerei outras coisas: como jornalista e redatora. Tornei-me professora de Literatura.

À medida que envelheço, penso sobre o que tenho feito com minha vida. Tanto tempo na inatividade disparou o senso de urgência em fazer o que amo. De alguma forma, em meio a dores de garganta e tosse, tento encontrar utilidade em minha situação e transformar isso em um novo hobby.

Assim, meu projeto de escrita, abandonado tantas vezes, voltou a me ocupar a mente e as horas. Tenho estudado e trabalhado nele mais tempo do que antes. Apenas o sono interrompe meu fluxo criativo. Talvez eu nunca publique nenhum livro. Não tenho expectativas irreais. Mas, nada me impede de escrevê-lo. Estou amando esta conexão com minha criatividade e paixão. Há muita sabedoria em aprender a apreciar o que temos.

Após os sessenta, meu foco está no presente – perseguir minha paixão –, e aqui está o contentamento.

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