Infinitas possibilidades de vergonha social

À escrivaninha. 31°C lá fora. Céu azulíssimo e calorão já pela manhã. Este verão promete ser arrebatador. Quem sabe eu volte a frequentar a praia. Há uns três anos que não piso em uma! :O

Por falar em sair de casa, tempos atrás eu me sentia um pouco intimidada por qualquer evento dito “social”, daqueles chiques, com gente estranha e metida à besta, sabem? Que roupa usar? Devo me apresentar aos estranhos? Como me comportar à mesa, se houver comida? Usarei o garfo errado? Infinitas possibilidades de vergonha social.

Salto alto? Tô fora!

Nos últimos anos, após uma longa pandemia trancafiada em casa, decidi que eu deveria sair mais. Passei a frequentar eventos literários e culturais e encontrar amigos e amigas para um café e bate-papo. Ainda assim, quando um convite para algo mais requintado aparece, boicoto-me e termino por não ir. Eu já me elimino da festa ao pensar no que vestir. Eu não costumo usar vestidos com frequência. Saltos? Nem pensar. Nem tenho ideia de como me pentear para uma ocasião mais formal.

Lembro-me de certa ocasião, em Foz do Iguaçu, em que não pude me esquivar de uma situação dessas. Participava de um evento com um grupo de jornalistas e empresários, na cobertura de um lançamento de uma fábrica de automóveis. Todos bem confortáveis , com roupas informais de trabalho.

À noite, porém, fomos convidados para um jantar de confraternização. Todas as perguntas citadas acima vieram à mente. Eu até havia levado um vestido na mala, para qualquer eventualidade, mas o frio na barriga veio. Arrumei-me e fui ao encontro.

Ao chegar, lá, que surpresa: todo mundo à vontade, de jeans e tênis! Eu só não fui a única de vestido social e sandália de salto alto, porque os diretores das empresas presentes no evento mantiveram o habitual terno e gravata, e as diretoras, blusa e saia social elegantérrimas.

O jantar foi prazeroso e descontraído. Os meus vizinhos à mesa foram simpáticos, sem esnobismo ou afetação. Mas eu me sentia um peixe fora d’água. Depois do jantar, alguns jornalistas me convidaram para dar uma esticada até um bar. Recusei com a desculpa de que iria acompanhar uma menina que não estava se sentindo bem e voltamos para o hotel.

‘Por que você não quis ir?’, vocês podem estar me perguntando. Porque estava vestida para um jantar chique, não para um encontro em um barzinho. “E daí?”, dirão vocês. Não sei. Apenas senti-me inapropriadamente vestida para aquelas duas ocasiões: chique demais quando todos estavam completamente à vontade.

A diferentona

Finalmente, aprendi a lição. Quando surge um evento mais formal, pergunto, antes, qual o traje apropriado, se tal não estiver especificado no convite. Entretanto, não me incomodo mais se, por alguma razão, eu não estiver vestida de acordo com a ocasião.

Passei por esta experiência mais algumas vezes. Eu, de vestido e salto alto. As outras pessoas, de jeans, sapatilha ou tênis. A diferentona. Nem ligava mais. Apenas procurava ficar à vontade e aproveitar o clima do evento.

Hoje em dia, evito ir nem tão chique e nem à vontade demais quando não tenho certeza sobre o “código de vestimenta”. Opto pelo meio termo: um vestido bacaninha e sandália de salto baixo ou uma blusa interessante com calça de alfaiataria ou mesmo jeans. Se quiser ficar mais informal, arregaço as mangas e voilá. Ah, sempre uma echarpe fininha na bolsa ou um quimono leve, para dar um up no visual se precisar de mais formalidade. As dicas de minha consultora de estilo têm me sido valiosíssimas.

Ou, simplesmente, recuso o convite, se houver obrigatoriedade de roupas de gala, como vestidos longos de tecidos nobres, como seda, chiffon, tafetá, shantung e afins, com joias ou acessórios mais sofisticados e delicados. Neste caso, acredito que não cabe passar por “diferentona”, usando a pantalona jeans da foto. Ou cabe? Não deve ser de bom tom.

Melhor não comparecer. Evito, assim, passar por infinitas possibilidades de vergonha social.

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