Sem diário de reflexões pessoais

À escrivaninha. 27°C lá fora. Céu nublado e uma brisa maravilhosa outonal. Sobre escrever reflexões em cadernos, eu mantinha um fabuloso diário de reflexões absolutamente pessoais.

Não escrevia um diário. Encaro meu antigo caderno como espaço de reflexão em que podia analisar meus sentimentos e pensamentos. E dizer para mim mesma o que não devia dizer às pessoas. Porque me são caras e não as quero fora de minha vida.

Eu já não escrevia à mão, há tempos. Um caderno brochura, presente de uma amiga querida, há dois anos, reviveu-me este hábito. Mais de 100 páginas ao longo deste tempo. Aquele caderno chegou ao fim, e senti-me compelida a iniciar um segundo volume. E assim o fiz.

Na última página do caderno anterior, listei meus valores, objetivos e perspectivas. Não coloquei data e não lembro em que circunstâncias os registrei. Revendo a lista, atualmente, observei duas coisas sobre meus valores pessoais: honestidade e espontaneidade ainda precisam ser trabalhadas para eu ser verdadeiramente livre. Tenho lutado para vencer a impulsividade, controlar a língua, apreciar o silêncio. Percebo que fiz algum progresso neste sentido. Mas ainda preciso aprimorar a técnica “conte até dez”, antes de argumentar sobre qualquer assunto.

Use a “regra dos 10 segundos” antes de tecer algum comentário ou dar uma sugestão. Durante este tempo, pense se este comentário será útil e produtivo ou acusatório e ofensivo. Se concluir que o comentário seria recebido de forma negativa, não compartilhe sua opinião”,(Deanne  Brann – psicoterapeuta)

Percebo que não tenho sido tão honesta em minha comunicação. Escondo minhas emoções e meus desejos para não desagradar quem amo. Digo que está tudo bem, quando as circunstâncias são adversas. Para manter felizes e confortáveis quem aprecia minha companhia. E me sentir feliz por isto. Ainda não me sinto inteiramente livre em minhas ações e pensamentos. As decisões em grupo me podam. Não contrario as decisões, mesmo que não concorde com elas, para manter a paz e a união. Tenho usado demais os meus dez segundos…

No novo caderno de reflexões, descrevi situações que me afetavam, positiva ou negativamente, sem julgamentos, com distanciamento e imparcialidade, para tentar enxergar as coisas com mais clareza. Talvez, distanciando-me de minha própria interpretação dos fatos, eu encontrasse alternativas boas para cada situação e algum aprendizado nelas.

Estes escritos nos cadernos de reflexão foram importantes, se considerar as vezes em que falhei – ou penso que falhei, para refletir sobre como fazer melhor da próxima vez. Não quero ter expectativas que possam levar à decepção, por isso, seguirei o fluxo o máximo possível. Confiar mais em mim e permitir que meus valores e minha experiência me guiem.

Hoje em dia, não escrevo mais no meu fabuloso diário de reflexões absolutamente pessoais. Queimei-os. Os dois. Agora, minhas reflexões dizem respeito apenas a mim.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.