Como me sinto sobre envelhecer?


À escrivaninha. Faz 30°C lá fora. Outono ameno, já que não sinto calor agora.

Ultrapassar a meia-idade não me trouxe a tal sabedoria. Trouxe-me, antes, mais agudeza de espírito diante das situações. O que julgava relevante, anos atrás, já não tem tanta importância. A capacidade de me libertar de algo que me importunava é um dos privilégios da maturidade.

A idade madura permite uma crescente reflexão sobre o que é bom, útil, necessário e realmente importante. Minha percepção da vida se amplia a cada dia. Eu observo as coisas mais atentamente e me importo mais profundamente com o que vale a pena.

Estou menos impulsiva e mais reflexiva. Penso, antes de tomar alguma atitude. Ouço a opinião alheia, silenciosamente, e não me esforço para defender a minha. Silêncio tem sido meu lema. E me importo menos com o que as pessoas pensam de mim.

Fazer planos é uma escolha, não uma obrigação. Aprendi a fazer o que quero e a cuidar de mim também. Agora é o momento em que eu realmente posso pensar em minhas necessidades. Em minhas paixões e em meus objetivos para uma vida feliz, saudável e independente.

O importante é como eu preciso me sentir; e não como eu desejo me sentir. Porque, nem sempre, nossos desejos coincidem com nossas necessidades. Ou com nossas possibilidades.

Envelhecer tem sido um desafio único: concentrar-me apenas no que eu realmente posso fazer. Escolher atividades adequadas a minha condição física e mental.  Tenho sido “sábia” o suficiente para discernir sobre o que funciona para mim e ir em frente. Respeitar meus limites e me adequar às circunstâncias de cada dia.

Eu estou consciente de que todas as coisas acabarão. A partir de agora, mais rapidamente. Não me preocupo com quanto tempo eu tenho, mas com o que posso fazer nesse tempo de que disponho. Com a idade, as expectativas são menores, pois os anos continuam marchando. Inexoravelmente.

Tomara que minha velhice seja definida pela generosidade, pelo amor e pela força. Acredito que estas são minhas maiores qualidades.

Imagem: Cristian Rojas no Pexels

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