O bloqueio criativo de minha protagonista

À escrivaninha. 27°C lá fora. A chuva vai e volta. Ora firme, ora tão forte que assusta. Hoje vou contar como a protagonista de meu romance encontrou, sem querer, a premissa para a história que queria escrever. Acompanhe:

A imaginação presa

Comecei por uma cena cotidiana na vida de uma escritora. O notebook esquentava a barriga de Diana, minha personagem. Afundada no sofá, buscava em um filme a inspiração para o projeto de escrita. Depois de um mês às voltas com esboços, ainda se sentia insegura para começar, de verdade, um romance. Fazia exercícios para destravar a escrita na intenção de vencer aquele bloqueio que emaranhava a mente.

Enquanto assistia ao filme, as vozes das personagens misturavam-se ao eco de uma amiga difícil: “Quem disse que você pode escrever um romance?”. A descrença de Mara tomava uma dimensão maior do que Diana podia aguentar. Na tela, a mocinha parecia sofrer as mesmas dúvidas que a afligiam naquela amizade complicada. A ideia gritou lá no fundo.

Sorriu satisfeita. Algo ali começava a desatar o nó em sua mente.

Da tela ao arquivo

Diana fechou a aba do filme e se ajeitou no sofá. Abriu um arquivo novo no notebook, e as palavras chegaram devagar. No entanto, o nó criativo recusava-se a ceder. Na biblioteca da universidade, onde trabalhou por 25 anos, ler e discutir histórias fascinantes era tarefa fácil. Criá-las, porém, significava entrar em outro mundo.

A princípio, as palavras tropeçavam, mas seguiam teimosas. A dúvida ainda a prendia da mesma forma que Mara a desencorajava. A amiga teria razão? “Quem disse que você pode?”, o sarcasmo escondido no sorriso cínico.

No entanto, o filme mudava tudo. Tóxica! A palavra, gritada pela personagem na cena assistida, a cutucava, ao mesmo tempo em que a oprimia. As mãos, paralisadas por um instante, acordavam lentamente.

Desatando nós

No meu livro, ao moldar esta personagem, pus nela a própria dúvida que me assalta quando escrevo. Então pensei: e se o bloqueio criativo virasse história? A insegurança de Diana, então, virou premissa para a construção do enredo do romance que parecia amarrado.

A liberdade ainda parecia longe, mas a pesquisa sobre o tema instigado pelo filme ia diminuindo as dificuldades pouco a pouco. Conseguirá desatá-los completamente? A resposta está nas próximas páginas, onde cada cena testa este desafio.

Se quiser acompanhar este caminho até o fim, o resto da história está em Café & Romance! Nele, você sente, junto com Diana, esse nó se desfazer na escrita e na relação com a amiga complicada.

Imagem: Steve-johnson

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