Mais uma primavera

À escrivaninha. 18°C lá fora. Chove sem parar, aquela chuvinha contínua e fria. O barulhinho de fundo perfeito para escrever, em uma manhã de domingo.

Em alguns dias, irei amanhecer, oficialmente, um ano mais velha. Na percepção de mim mesma, aos 65, não me sinto “mais” velha, até olhar no espelho. Aparentemente, meus grisalhos e minhas marcas atestam isso, mas a minha mente insiste em dizer que não. Estou sorrindo agora.

Ontem, à tarde, o universo mandou-me recados para eu insistir em meu sonho, que, a esta altura, já se transformou em um projeto há alguns meses. Primeiro, li, em uma biografia, que a escritora começou a escrever aos 60 anos. Em seguida, em uma rede social, alguém postou que nunca é tarde para fazer qualquer coisa. Por último, no filme a que assisti, mais tarde, a protagonista, uma escritora com mais de 50 anos, escrevia um novo livro, enquanto vivia saudavelmente os prazeres da vida e do amor.

Tenho projetos engavetados em minha mente, e me lembrei de alguns deles, ontem, enquanto recebia as “mensagens”. Minha mente me dizia que ainda dá tempo, embora, a esta fase da vida, os objetivos não sejam mais realização profissional ou reconhecimento. Trata-se de satisfação pessoal e manutenção de minha sanidade física e mental.

Então pensei: por que não? Já comecei a transformar um desses sonhos em projeto, o que me impede de fazer o mesmo com o segundo? E com o terceiro? Sua idade!, grita minha mente. E daí?, responde meu coração. Tarde ou nunca são palavras que venho abolindo de meu vocabulário e de minha vida.

No dia de meu aniversário, vou sair para um almoço com minhas meninas, aproveitar o dia e apreciar minha primavera. Vou saborear o vinho com o jantar e desfrutar meu ano novo. Aceitarei graciosamente cartões e presentes, mas não espero nenhum.

Desejo estar saudável mental e fisicamente, primeiramente, e estar apta a dar e a receber amor, embora já receba caras e bocas, silêncios que gritam mais que uma resposta enviesada, e recriminações. Como lido com isso? Apenas refugio-me em minha leitura e escrita e aprecio o silêncio.

Dentro de poucos dias, mais uma primavera (ou seria outono…) e, com otimismo, mais outras no meu futuro.



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