À escrivaninha. 22°C lá fora. Céu encoberto. A chuva suave desperta a vontade de escrever narrativas sobre amor e paixão. De transferir o próprio desejo aos corpos das personagens que se tocam e se amam.
A frase no cartão que recebi de uma querida amiga, “seguir o desejo com as mãos”, foi o gatilho para este texto. Como escritora de romance, percebi a conexão imediata entre a ânsia tátil e a palavra, transformando a escrita em uma ponte para a realização do desejo.
O desejo nas mãos que escrevem
As mãos de escritora seguem guiadas pelo desejo que impulsiona o processo criativo. Escrever cenas sensuais é um ritual que expande e revisita memórias para lhes dar voz e significado. Devagar os dedos percorrem a página traçando toques, cheiros, respirações.
Escrever as cenas à mão intensifica o processo: é possível sentir a temperatura na ponta dos dedos. Assim, ao seguir as próprias sensações, a escritora rabisca encontros impregnados de emoção.
Personagens que assumem o controle
O mesmo ímpeto que nos move contamina as personagens. O desejo da narradora se funde ao dos protagonisatas, e, de repente, em uma mágica que só a ficção permite, vivenciam as mesmas emoções.
Pouco a pouco, eles assumem o comando da ação. As mãos que escrevem recuam, tornando-se meras observadoras dos corpos e dos sentimentos que emprestam. É isso que confere verossimilhança às cenas íntimas e aos diálogos ardentes.
Guia para escrever cenas íntimas
Para capturar a sensualidade é preciso seguir o desejo conforme a cena se desenrola. Alguns pequenos rituais ajudam a levar a emoção aos leitores:
1. Prepare a tensão e construa a conexão emocional antes do toque:
A barba bem aparada roçou o pescoço de Diana. Os dedos passeavam pela nuca embaraçando seus cabelos. Segurando o rosto dela entre as mãos, beijou-a na testa, no nariz, nos lábios.
2. Ative os sentidos. Cheiros, sabores, sensações, reações involuntárias fazem quem lê vivenciar a cena:
Aproximou o rosto e roçou os lábios ao lado da boca de Hugo. Ele inspirou o perfume suave de pêssego nos cabelos dela. “Gosto desses cachos assim, livres”, sussurrou, a ponta dos dedos percorrendo os ombros nus de Diana.
3. Entre na mente das personagens, desvende suas emoções para transformar o ato puramente físico em uma experiência significativa, tanto para elas quanto para quem lê.
Hugo abraçou-a com força, repreendendo-se por não ter procurado por ela antes. Tomou sua boca com voracidade, como se estivesse prestes a perdê-la para sempre.
4. Aumente a tensão gradualmente até chegar ao ápice. Sem progressão, a cena soa mecânica falhando em conectar as personagens e perdendo o impacto sobre quem lê.
Permaneceram assim, abraçados, o silêncio preenchido apenas pela respiração descompassada. Ela se viu envolvida por sensações que não conseguia descrever. Hugo beijou-a outra vez, agora com mais urgência. Quando deram por si, estavam na cama.
5. Avance a história. A cena deve causar uma mudança interna nas personagens ou na dinâmica do casal:
Diana sentiu a gravidade de volta ao lugar e retribuiu com a mesma intensidade, embora percebesse o propósito daquele beijo. De repente, começou a avaliar a possibilidade de tudo dar errado.
Conclusão: Evite clichês e exageros. Permitir que as personagens revelem suas vulnerabilidades é o que realmente aproxima e emociona o leitor. Então, permita que seus dedos e sensações reflitam a sua voz única e libere o desejo criativo.
Assim como fiz com Hugo e Diana em meu romance, deixe suas mãos escritoras traçarem o inconfessável através do desejo de suas personagens.
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Foto: Colagem por Paula Maria
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