À escrivaninha. 32º C lá fora. O sol ultrapassa a cortina de renda invadindo a primavera. Assim, neste momento, o cotidiano se intromete em minha rotina de escrita testando a página em branco.
O silêncio entre ruídos do dia
Percebo, com um leve desconforto, que tenho escrito menos do que desejo. Então, antes de tudo, ajusto o cronômetro do celular e inicio minha rotina de escrita. A princípio, as ideias deslizam no papel sem interrupções. Mas o sossego dura pouco.
Um cachorro late, uma porta bate, o alarme de um carro apita. Penso em sair, caminhar, só para ver o dia acontecer, mas a mente se esvazia.
Bem-te-vis cantam e calam. O silêncio é a continuação do canto. O café esfria no fundo da xícara. O cheiro é doce, mas não pus açúcar.
Ajustar o cronômetro e recomeçar
De volta ao corpo e à escrita. Fones nos ouvidos, o áudio pausado. Vozes femininas chegam de longe. Sou grata pela distância. Imagino Cacau, na zona sul, o vento na areia, o corpo em movimento. O que me prende?
Uma mosca zumbe. Afasto a cortina e a deixo escapar. Coceira na orelha, depois a perna. A pele formiga. Preciso sentir algo, mesmo o mínimo. A casa quieta. Um assobio distante. O céu ardente revelando o verão. Tudo parece em espera.
Enfim, reinicio o cronômetro. Por um segundo, estou inteira outra vez. Recomeço a escrita cotidiana. Logo, como as personagens de Julie Caplin, descubro o valor das pequenas alegrias, do acolhimento e, quem sabe, de um amor, encontrando, assim, um caminho para reconstruir a vida com mais leveza e propósito.
O vento levanta a página. Consequentemente, as palavras chegam devagam.
Escrever até o último instante
A britadeira silencia na rua. Massageio o pescoço, penso no nódulo da Grandona e respiro. O bloco de notas sobre a escrivaninha me observa: anotações de escrita, do que adio, do que nunca começo.
Dois minutos. As palavras tropeçam, mas fluem. No silêncio e na pausa a rotina de escrita ganha força. Trinta segundos: escrevo até o último instante, agarrando-me a mim mesma, antes que o instante fuja.
O alarme toca. Por isso, encerro a sessão. Quem sabe, amanhã, com nova perspectiva, palavras voltem a fluir, personagens ganhem vida.
Vinte e cinco minutos de escrita cronometrada
Vinte e cinco minutos. Sem julgar. Sem apagar. Só escrever.
Como fazer:
- Ajuste o ambiente. luz solar, vento na janela, selêncio com fones.
- Pegue papel e caneta. A escrita à mão ganha corpo e tropeços reais.
- Defina 25 minutos. Dispersou? Reinicie o cronômetro e se concentre na rotina de escrita.
- Escreva o que vier. Sons, cheiros, sensações, memória. Tudo vira combustível.
- Pare no alarme. Guarde. Leia amanhã. Edite. Publique ou não.
Em suma, funciona? Sim, porque força presença. Sem perfeccionismo, só o instante, o corpo, a página.
Afinal, o café esfria na escrivaninha, mas as histórias esperam. Da mesma forma, em Café & Romance, minha protagonista, uma bibliotecária carioca, transforma sua rotina de escrita cotidiana em recomeço: ela abre uma livraria-café no Rio, supera um casamento abusivo e dependências tóxicas, e constrói amor-próprio página a página.
Como ela, escreva até o último instante.
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