Nova Perspectiva sobre bloqueio de escrita

À escrivaninha. 32°C lá fora. Finalmente um vislumbre de dias mais quentes. Bem-vindo, Sol! E bem-vinda inspiração e disposição para voltar a escrever.

Após cinco dias travada na escrita, sem conseguir avançar de um determinado ponto do romance, tomei uma decisão. Escrevi dois posts sobre o meu suposto bloqueio criativo aqui, no blog, e os textos fluíram naturalmente. Enquanto escrevia, pensava: “Como posso estar bloqueada, se estou escrevendo agora mesmo?”.

O falso bloqueio

Como cheguei a uma solução, em meu primeiro (espero que último) suposto bloqueio na escrita? Fui dormir mais cedo e acordei mais cedo ainda. Abri meu Kindle, sem muita concentração. Apenas deixando a leitura fluir. Em dado momento, uma cena mostrava o que o personagem estava vendo. Eu estava em sua mente, pensando e sentindo as mesmas emoções. Era isso o que eu procurava. Ação, mudança de foco, fazer acontecer.

Esta foi a chave para eu levantar da cama, hoje pela manhã e abrir o notebook. E terminar o capítulo empacado. Voltei à escaleta e alterei o esboço da cena em questão. Sob nova perspectiva, a história voltou ao seu ritmo. Com o coração aliviado, terminei o bendito capítulo 7 — símbolo de perfeição e conclusão — e comecei imediatamente a escrever o seguinte, o de número 8, com a certeza de vitória e superação.

Planejamento flexível

A escaleta é apena um instrumento de apoio para estruturar a história. Não é um guia mágico capaz de resolver bloqueios. Precisa ser flexível e receber alterações se alguma parte não estiver funcionando no desenvolvimento da história. Aceitei que minha escaleta poderia conter partes que não funcionariam bem quando colocadas na prática. Como qualquer planejamento, precisava estar aberta a mudanças.

Sem dó nem piedade, modifiquei a cena empacada de forma rápida e alterei os elementos da história de lugar. Como vocês podem ver, nunca se tratou de bloqueio criativo. Era apenas uma dificuldade técnica na estrutura de meu romance, por sinal, bem fácil de resolver. Quando se sabe o que fazer com a narrativa, a escolha de alternativas para melhorar o projeto acontece naturalmente.

O saldo negativo é que levei cinco dias para analisar o que estava me travando. Minha teimosia em insistir em um tópico que não funcionava na trama. Imagina se o meu plano teria falhas? Sem o estresse do perfeccionismo, relaxei e aceitei que cenas podem ser revistas, modificadas ou readaptadas a outros projetos e aceito como boas ideias.

Estou de volta ao romance. Aliviada e satisfeita.

Foto de David Iskander na Unsplash

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