À escrivaninha. 23 °C lá fora. Tarde cinzenta e promessas de chuvas. Sim, cariocas não gostam de dias nublados, como canta Adriana Calcanhoto. Os bem-te-vis disputam cantoria com os gritos de crianças na quadra em frente à minha janela. Essa algazarra reflete um pouco o rumo de minha escrita atualmente.
Aos poucos, vislumbro um propósito por trás de minhas produções. Entretanto, ainda acontece de, quando estou escrevendo o novo romance, se eu focar no público-leitor que não é o meu, tudo trava e o texto não flui naturalmente. Isto acontece por questões que me incomodam e as quais preciso resolver.
Penso, por exemplo, que o silêncio das pessoas que compraram o primeiro romance são fortes indícios de que, ou não o leram, ou o detestaram, ou se escandalizaram. Agora, enquanto preparo um novo manuscrito, tenho firme a convicção de que não preciso oferecer meus exemplares para todo mundo. Mirar apenas nas pessoas leitoras que apreciam o tipo de enredo e o tema que desenvolvo neles.
Escrever com intenção é mais produtivo
Preciso delimitar, nas próximas publicações, seja de romances, de posts no blog ou de edição na newsletter, para quem quero escrever. Ter em vista quem se interessa por meus temas deve trazer um pouco de segurança para mim.
Estou animada em seguir por esse novo caminho. Escrever com intenção e mirando em um público específico. No meu caso, são, majoritariamente, mulheres maduras e românticas, independentes e dispostas a conquistar sucesso nas esferas pessoal, profissional e afetiva.
Estou editando o rascunho do novo manuscrito com este foco. Sinto que as devolutivas da leitura beta já não me afetam tanto quanto no primeiro romance. Percebo o meu amadurecimento como escritora e tenho objetivos claros sobre o que quero no novo livro. E em qualquer texto que eu publique daqui para a frente.
Foto de Masi Mohammadi na Unsplash