Pare de dizer “eu”

À escrivaninha. 34°C lá fora. O céu azul maravilhoso e salpicado de brancas nuvens é um colírio. A brisa quente adentra pela janela, derretendo meus pensamentos. Amo o calor, mas nem precisava tanto…

Li a frase do título, em um blog, e sorri, pois é justamente o que pretendo fazer com minha vida. Por tantos anos, investimos tempo em tudo, exceto em nossas próprias necessidades. E, quando envelhecemos, percebemos que precisamos simplificar a vida e focar no que parece certo para nós.

Aparentemente a vida é muito mais relaxada depois dos 60 anos. Estou em um estágio em que podemos fazer a vida do nosso jeito e aproveitá-la, enquanto ainda podemos. Sem compromissos de trabalho, de criação de filhos, apenas comprometida comigo mesma.

De qualquer forma, nesta idade, percebo que não temos muita alternativa a não ser nos concentrarmos em nós mesmos. Exercitamos o silêncio mais intensamente e aprendemos, a duras penas, a guardar nossas impressões sobre o que não nos diz respeito. As reações são imprevisíveis, quando ousamos expressar nosso ponto de vista.

Tenho aprendido a observar os acontecimentos cotidianos, sem juízos de valor ou interpretações subjetivas. Ninguém quer saber a nossa opinião depois dos sessenta.

Estou em um processo de aprendizado de obrigar minha mente a focar no presente. Manter a concentração e ignorar o que ocorre a minha volta e que não me diz respeito. Por mais difícil que seja, tenho feito progressos em deixar de ser a “Madame Fifi”, para o bem de minha saúde física, mental e emocional.

Então, este é o momento de dizer “eu”, com certeza. Momento de cuidar da própria vida. De meu blog, de minhas leituras, de meus hobbies, de meus interesses. Embora eu não tenha planos de adicionar novos projetos ao meu ano novinho em folha. Alguns projetos do ano passado permanecerão os mesmos, enquanto outros mudarão ou serão abandonados.

Uma coisa é certa: não pretendo desacelerar tão cedo. Abracei o silêncio como um mantra, e estou concentrando minha atenção em coisas muito interessantes. Para mim, obviamente.

Foto de Peter Olexa no Pexels

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