Faça chuva ou faça sol

À escrivaninha. 28° lá fora. Céu enevoado e esbranquiçado. Uma brisa leve deliciosa levanta as cortinas.

Nas últimas semanas, a chuva tem saudado as noites e as manhãs. Não tenho me levantado e saído para caminhar. Perdi as caminhadas das manhãs de segunda, como eu havia me disposto a fazer. Houve alguns dias em que não pude andar, devido à dor na região do cóccix. Enfim, desculpas e justificativas para não descer e caminhar.

Estou consciente de que é tudo sobre a rotina. Penso que devo insistir e não abandonar este hábito saudável recente e incorporá-lo definitivamente à minha rotina. Faça chuva ou faça sol.

Hábitos bons tendem a se formar lentamente, com perseverança. Entretanto, podem ser quebrados, com justificativas externas ou internas.

Ontem fui ao cabeleireiro cortar meu cabelo. Minha primeira saída, desde o o início da quarentena do Covid-19. Fiz 40 minutos de caminhada, de ida e volta. Quando cheguei a casa, percebi que estive tão concentrada no ritmo de meus passos e atenta a minha respiração – conforme aprendi nas aulas de ginástica sênior –  e nem me atentei à paisagem. 

Não ouvi passarinho cantando,  não apreciei as flores pelo caminho. Estava tão preocupada com a segurança – pessoas sem máscara – e em manter a distância segura de cada uma delas.
Que desperdício! Eu poderia ter aproveitado melhor essa caminhada ao ar livre.

O salão estava vazio, como se tivesse sido reservado só para mim. Isto me deixou aliviada, pois constatei que estão cumprindo o protocolo de combate à pandemia. Usei máscara durante todo o procedimento. Eu tomei as precauções de não tocar em nada e levei um spray de álcool 70 para desinfetar as mãos.

O resultado do corte de meu cabelo não ficou exatamente como imaginei, mas não estou preocupada.  Fios crescem, e eu estou me sentindo bem melhor com o cabelo curto. Relutei muito para agendar um horário, mas, por fim, arrisquei-me fora de casa, após sete meses. Caminhar, em vez de pegar um Uber, pareceu-me o mais prudente a fazer.

Foi bom ter saído e feito a caminhada ao ar livre, na ida e na volta.  Não me cansei, sequer suei. A manhã estava agradável, com o céu encoberto e nublado, e uma brisa fresca.  Senti-me em forma, e isso é tão engraçado.

Não pretendo sair de casa, novamente, sem um motivo plausível, até uma vacina eficaz estar disponível. Ainda não estou disposta a enfrentar um vírus, em meio à pandemia. Quero evitar as consequências desta doença, a longo prazo, se for contaminada antes da vacina ou de um remédio eficaz.

Irei votar, neste domingo, e espero encontrar um protocolo seguro contra a disseminação do vírus. Talvez eu vá visitar papai no Natal. Ou antes, não sei. Por ora, prossigo isolada fisicamente, mas conectada emocionalmente a quem amo. E caminhando, dentro do condomínio, faça chuva ou faça sol.